19 março 2017

Intuição ou Pressentimento?


O próximo texto encaixa-se mais no tipo reflexivo do que no literário, um contraste em relação à maioria dos textos que costumo publicar aqui. Contudo, depois de uma série de eventos nos últimos meses, senti uma certa necessidade de desabafar sobre algo que eu começo a considerar uma espécie de dom: o de prever, inconscientemente, coisas

Vamos começar por mencionar o primeiro acontecimento caótico do ano, em que um acidente me fez ficar sem computador durante um mês. Ao longo dessa semana aconteceram pequenas coisas de azar, mas nada de premonitório ou marcante. Além disso, eu tinha uma centena de fotografias do clube onde fotografo para editar. Também era a semana de pagar a renda do meu quarto. 

Por alguma razão, a minha preguicite aguda estava especialmente intensa nesses dias, levando-me a ir editando as fotos a passo de caracol em vez de tirar duas ou três horas para o fazer de uma vez só. Mas ainda estava dentro da deadline, por isso, não me preocupei. Também a deadline do pagamento da renda estava estável, por isso, também não me preocupei muito. Mas, por alguma razão que eu não conseguia explicar a mim própria, havia algo que me estava a dizer para ainda não pagar. Esperar até ao final da semana, talvez. Eu não sabia porquê, apenas havia algo a dizer-me para esperar.

Foi então que, nessa quarta feira, enquanto estava a trabalhar (exatamente, nas famosas fotos), que se deu O Acidente (que não irei relatar, mas deixo aqui um recado para todos os meninos e meninas, senhoras e senhores, cis, trans, fluid ou agendernão deixem as velas próximas dos vossos aparelhos eletrónicos; sobretudo os fios). Foi tudo tão rápido e inesperado, que não tive tempo de reagir antes de o meu computador falecer em frente dos meus próprios olhos. Depois disso foi tudo uma corrida contra o tempo para conseguir levar o computador a um técnico antes de a loja fechar, tratar de toda a papelada e chegar a casa e sofrer miseravelmente pela minha tragédia (não sou nada dramática, não). 

Mas sei que, no final desse dia, eu disse a mim própria: ainda bem que não editei as fotos todas (porque perdi tudo e, chegando à minha terra Natal, tive de editar tudo de novo), e ainda bem que não paguei logo-logo a renda


Ok, foi só um incidente, com algumas coincidências engraçadas. E daí? Isso não me torna especial. Isto é, se de facto tivesse sido só esse incidente. Mas estes pequenos 'pressentimentos' acontecem-me regularmente no dia a dia, com pequenas coisas, a que normalmente nem dou muita atenção, mas estão lá. Contudo, houve outro grande incidente. E aconteceu na semana passada.

Era sábado e eu passei o dia inteiro a trabalhar num projeto para uma cadeira da faculdade. Na verdade, era até um projeto sobre Internet, com bastantes referências a Edward Snowden, a Deep Web e a Silk Road, e a venda de dados pessoais da Google e do Facebook. Sim, eu sei, um trabalho muito iluminado e com uma temática muito agradável. Mas, adiante: eu estava a trabalhar nesse projeto o dia todo. Contudo, a certo momento a meio da tarde, lembrei-me que estava a guardar o trabalho - já com diversas páginas escritas e bibliografia definida - no meu computador, em vez do meu disco externo. Compreenderão que, depois daquele primeiro incidente mencionado ali em cima, em que perdi todo o material que tinha no computador, eu fiquei um nadinha 'paranóica' em relação a onde guardo as coisas importantes.

Eu podia deixar para amanhã ou para a próxima semana a tarefa de fazer backup das minhas coisas para o disco, mas algo - mais uma vez - me encaminhou à ideia de o fazer agora. Então eu parei de fazer o trabalho e fui fazer o backup. Não tornei a lembrar-me disso e continuei a trabalhar posteriormente. 

Foi à noite, contudo, pouco antes de eu sair para ir trabalhar, que se deu O Segundo Grande Acontecimento: eu estava a fazer uns últimos ajustes na bibliografia do trabalho quando, do absoluto nada e da forma mais puramente misteriosa, o computador desligou. E não apenas desligou, como também deixou de dar qualquer tipo de sinal de vida. Experimentei ligá-lo de novo, testar outra tomada - nada. Estava morto. Porquê? Não sei. Apenas morreu.

A minha primeira preocupação - depois de 'oh-meu-deus-o-computador-morreu' - foi, naturalmente, com o meu trabalho. Tinha passado o dia todo a trabalhar nele, com muitas outras horas anteriores a fazer pesquisa. Não podia perdê-lo! Mas eis que, iluminado de forma divina, o meu disco externo olhou para mim com um sorriso de quem sabe tudo, e disse: "Olha eu!" E eu olhei, e vi, e suspirei de alívio, porque tinha guardado tudo lá a tempo. (Ok, vocês sabem que ele não falou realmente, e nem me sorriu, mas senti-me como se tivesse de facto feito isso tudo, sim?)

No final do dia, eu pensei: ainda bem que guardei tudo durante a tarde. (E antes que perguntem, sim: ele está de novo vivo e a salvo, obrigada)



Esses são grandes exemplos de grandes acontecimentos. Mas é normal também eu, por alguma razão, enfiar um punhado de Brufen na minha mala, e mais tarde ter dores de cabeça; ou decidir levar um blusão impermeável num belo dia de sol, e mais tarde chover; ou então eu levar um caderno para uma aula onde nunca é preciso caderno, e no final tirar notas. 

Eu não sei bem o que isto é, mas anda a salvar-me a vida de diversas formas há já bastante tempo. Talvez seja o meu anjo da guarda a sussurrar-me ao ouvido e a avisar-me, talvez seja um dom, ou talvez eu seja só uma pessoa intuitiva e moderadamente precavida. De uma forma ou de outra, estou grata por ter esse 'dom' na minha vida. 

Coincidências? Talvez. Ou talvez não. 

E vocês? Têm alguma espécie de dom misterioso que vos salva de vez em quando?

Imagens: stocksnap.io

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