21 março 2017

1984, de George Orwell


Sabe mais sobre o livro ou adquire-o AQUI.

AVISO: O texto que estás prestes a ler é um conjunto de excertos (organizados de uma forma coerente) que foram retirado de um trabalho escolar cujo foco era a análise sociopolítica da obra em questão. Desse modo, este texto poderá ter vocabulário político e histórico, assim como uma linguagem mais rigorosa e formal do que aquela que é habitual neste blogue. Escusado será dizer que é inteiramente da minha autoria.

1984 / Mil Novecentos e Oitenta e Quatro é um romance distópico cujo foco é a crítica ao totalitarismo e à oligarquia. A obra retrata uma sociedade controlada por um regime totalitário, narrando a vida de Winston Smith, um homem insignificante, e a sua posição nessa sociedade. Smith é fiel ao regime, até ao dia em que se apercebe da sua própria miséria e do que o rodeia, iniciando uma rebeldia contra o regime. Envolvendo-se num romance tórrido com Julia, uma revolucionária como ele, e numa rede de mistérios e planos revolucionários, Winston vai, aos poucos, descobrindo mais sobre o mundo em que vive - e as mentiras que o rodeiam.

Além da repressão e opressão, esta sociedade ainda vive sob uma rígida hierarquia, composto por três classes distintas: no topo, o Grande Irmão e os membros do Partido Interno; seguidos pelos membros do Partido Externo; e, na base, as Proles.  Orientada pela máxima do SOCING – o Socialismo Inglês -, Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força”, esta sociedade é controlada até aos mais ínfimos detalhes, chegando o Partido a invadir a vida privada das pessoas. Aliás, “privacidade” é um conceito inexistente neste modo de vida, em que as pessoas são vigiadas permanentemente por Telecrãs – televisores com câmaras incorporadas que registam cada movimento e som dos indivíduos.


Resultado de imagem para 1984Resultado de imagem para 1984 antigonaResultado de imagem para 1984 antigona
Versões das capas da editora "Antígona"

Feroz crítico dos totalitarismos, Orwell pretendia censurar os regimes da sua época ao retratá-los na sua obra. Assim, encontram-se diversos traços semelhantes entre o regime de 1984 e os regimes totalitários do século XX: o comunismo, o fascismo e o nazismo. A elevação da União Soviética enquanto regime socialista terá sido o principal gatilho de Orwell para a criação de uma sociedade com as mesmas características da URSS. À semelhança do regime de Estaline, também em 1984 há o desaparecimento de pessoas e consequente eliminação absoluta da existência delas. 

Ao fascismo e nazismo, Orwell foi buscar os organismos repressivos – como a Polícia do Pensamento -, o controlo das pessoas – nomeadamente, o pensarcrime (o ato de pensar algo que se oponha à ideologia do regime) - e o culto da violência. As Juventudes Hitlerianas também serviram como inspiração para a criação, na sociedade de 1984, de uma organização juvenil de condicionamento: a Liga da Juventude. Na área do entretenimento e da saúde – como o cinema e a actividade física -, o SOCING e o Grande Irmão revelam interesses semelhantes aos de Hitler e Mussolini: a preocupação de manter as pessoas ocupadas e saudáveis, de modo a não contestarem o regime. Somando a isso, tem-se a existência de um único partido – o Partido Único -, onde uma figura central detém o poder absoluto sobre a nação.

1984 não se trata apenas de uma obra de ficção científica e romance com uma visão crítica; é sobretudo um retrato futurista daquilo que Orwell acreditava que viria a ser o mundo, se os regimes totalitários continuassem a dominar as nações e proliferassem. Considerada uma obra fatalista no seu tempo, 1984, no entanto, não falhou totalmente nas suas premonições. Apesar de as sociedades atuais não serem dominadas por regimes opressores, Orwell estava certo ao afirmar que seriam profundamente controladas e vigiadas


Resultado de imagem para 1984 original coverResultado de imagem para 1984 coversResultado de imagem para 1984 covers
Algumas versões internacionais interessantes

A tecnologia, que se acreditava que facilitaria a vida das pessoas e melhoraria a comunicação, tornou-se um meio de alienação e controlo psicológico. A publicidade, os registos telefónicos e internáuticos, a novilíngua, a vigilância em vídeo e fotografia, a ausência de privacidade nas compras, entre outros aspectos do nosso dia a dia, são apenas alguns dos exemplos de dominação e condicionamento das pessoas. 

2+2 =5”. Não quatro, mas cinco. Este é um dos princípios fundamentais da obra. Chama-se a isso, pelas palavras de Orwell, “dizer mentiras deliberadamente, nelas acreditando com sinceridade”. No fundo, toda a obra gira em torno desta conta e do seu resultado deliberadamente fraudulento. A dissimulação e negação da verdade, assim como a dominação intelectual, são as principais ferramentas de sustentação do regime vigente em 1984. Sem elas, assim como sem a violência e uma forte estruturação social, seria impossível que o governo sobrevivesse tão firmemente. 

1984-book-covers-4
Há várias edições deste livro em todo o mundo.

Contudo, é a mensagem do autor que tem mais relevância, além da sua capacidade inigualável de fazer arte (uma obra como 1984) com a guerra. O seu aviso tem tanto de real quanto é possível numa obra escrita em 1949, mas é de uma relevância demasiado grandiosa para ser ignorado. 

Em suma, 1984 é uma das maiores e mais significativas obras do século XX e adiante, com uma forte componente política, social e histórica, de leitura fundamental.



2 comentários:

  1. Oii, tudo bem?
    Passei para dizer que adorei o blog, o nome é super criativo e já estou seguindo! Sucesso pra ti! Beijos.
    Bolicho da Guria
    Fan Page

    ResponderEliminar

Disclaimer

Todos os conteúdos aqui apresentados têm os direitos reservados aos respetivos autores. À partida, todos os textos neste blog são da autoria de Rafaela Silva, Aléxia Oliveira e Mónica Simão, exceto em referência contrária, e não devem ser reproduzidos, adaptados ou copiados de forma alguma sem consentimento prévio. Todas as fotografias com marca de água de Rafaela Silva ou RS Fotografia e Design têm os direitos exclusivos de Rafaela Silva. As fotografias com a marca d'água de Lemao Doce ou Limão Doce pertencem exclusivamente ao blog. E todas as imagens não assinaladas pertencem aos respetivos autores e provavelmente virão de sites dedicados a imagens de stock (ver: 'Recursos')
Com tecnologia do Blogger.

Seguidores

Google+ Followers