05 fevereiro 2017

Livro: O Apelo da Selva, de Jack London • Review




Autor:
Jack London
Título Portugal: O Apelo da Selva
Título Original: The Call of the Wild
Wook: O Apelo da Selva

O Apelo da Selva conta a história de Buck, um cão doméstico de uma família abastada que, de um dia para o outro, vê o seu ambiente mudar radicalmente. De uma família amigável que o cuidava, passa para um mundo cruel onde a comida e o respeito têm de ser merecidos e o descanso é raro. Passando por vários donos e companheiros caninos ao longo da sua viagem pelo Norte, em temperaturas baixas, escassez alimentar e muito trabalho, este animal vê os seus instintos renascer em si e conhece uma faceta sua que nem sabia que conhecia - a faceta selvagem dos seus antepassados. De bons donos em maus donos, a personalidade e a mentalidade de Buck vão-se alterando até nada sobrar do cachorro amistoso que outrora fora. O Apelo da Selva, o desejo de regressar à natureza, chama-o até ele não conseguir mais resistir-lhe. 



É uma história fantástica. Muito triste, embora com um final razoavelmente feliz, e muito impactante. Tem momentos muito violentos e momentos muito ternos. E o autor não parece ser grande fã de eufemismos, pois a sua narração é direta e objetiva nesses momentos: descreve as coisas como elas são, sem procurar dar as tão apreciadas "voltas" que tornam as mortes mais bonitas e as feridas menos dolorosas. Ele vai direito ao assunto: a morte é má e as feridas são más. Ponto. De tal modo que é dificílimo ler certos momentos sem precisar de parar um bocadinho para inspirar fundo. Há alguma violência nas suas palavras.


Mas também há ternura, quando os momentos assim o pedem. A relação que Buck manteve com o seu último dono, por exemplo, está cheia de ternura, de afeto e de laços muito fortes de lealdade. E nesses momentos London transmitiu realmente toda essa amizade entre o animal e o seu dono.

A transformação de Buck é algo verdadeira complexo. Ele é um cão que aprende depressa, conhece o seu lugar e consegue adaptar-se. Ele próprio diz que está familiarizado com a "lei do cacete" - ou seja, ou obedecia, ou era sovado; pelos humanos ou por outros cães hierarquicamente mais elevados. É uma transformação gradual nuns momentos, radical noutra. Ele chega mesmo a revelar-se um rebelde quando decide implantar um "golpe de estado" contra um cão tirânico. É um animal inteligente, muito forte e com um coração amistoso. No final, mesmo após ter provado do pior de tudo, ele ainda consegue amar incondicionalmente. 




Gostei verdadeiramente do livro; e lê-se realmente bem; a sua linguagem é bastante acessível, a escrita tem um rítmico agradável e a história é extraordinária. Fez-me pensar se não será tudo uma grande metáfora: os seres humanos também passam por metamorfoses intensas quando confrontados com situações extremas e/ou antitéticas àquelas a que estão habituados. Ou pode muito bem ser apenas uma história de um cachorro que vive uma aventura memorável. 

O livro está classificado pela Wook como Literatura Juvenil (talvez por ser uma espécie de fábula complexa), mas não vos enganai: isto não é um livro que se dê a uma criança. Pelo menos, não a uma que ainda não tenha uma noção concreta do certo e do errado, do mundo cruel em que habita.

De qualquer dos modos, sim, recomendadíssimo (digo isto em muitos livros, mas este aqui é um recomendadiísimo plus). É daquelas leituras que marcam, sobretudo pessoas que gostam de animais, e com uma mensagem muito forte e marcada. Leiam! 



Sobre as fotografias: a edição que eu li é uma edição já antiguinha (e fofinha), que um amigo me emprestou (obrigada Nuno), por isso, pode ser um tudinho difícil encontrá-la. Mas muitas outras encontram-se no mercado.



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