08 fevereiro 2016

Carta a todos os rapazes de que gostei • Texto


Olá, olá. Sou a Mónica e, a partir de hoje, vou "colaborar", com histórias, reviews e afins, no blog da linda da Rafa.

Tentarei postar algo novo todas as segundas feiras, aqui no Lemao. Espero que não se aborreçam com a minha presença por aqui e que gostem do meu primeiro post; eu gostei bastante de o escrever (até porque tem a sua vertente cómica). 

No mais, fiquem com este pequeno texto e adotem-me, por favor.


Às vezes damos por nós a pensar numa ou noutra pessoa aleatória, que, por acaso, foi importante em algum momento da nossa vida. A pessoa simplesmente brota na nossa mente assim, do meio do nada. Bum. Passam dois anos, o mundo dá um par de voltas, as estações mudam oito vezes e bum. Lembramo-nos dessa pessoa.

E pensamos “será que ela também se lembra de mim?”.

É claro que não sabemos a resposta; a pessoa simplesmente desapareceu do mapa. Na verdade, está tão desaparecida que mais rapidamente apostamos que ela foi transferida para uma qualquer universidade russa, e não que está a estudar a sessenta quilómetros da nossa cidade.

Quem não se vê, nem se fala, há coisa de três anos, não se lembra de, numa bela manhã, pegar no telemóvel e dizer ao outro desaparecido “olha, hoje sonhei contigo”. Pois não? “Hoje sonhei que estavas montado num cavalo branco e combatias com marcianos verdes, enquanto empunhavas uma espada feita de balões de festa”.


Já viram o quão estranho soaria?

Ninguém, no seu perfeito juízo, quando é assaltado subitamente pela imagem de alguém que já não vê há muito tempo, decide mandar mensagens deste género: “Estou a fazer ovos estrelados e lembrei-me de ti. Ainda te lembras daquela vez, em Évora, em que me abraçaste e me fizeste dar um par de piruetas no ar?”. 

O que é que ovos estrelados têm a ver com essa pessoa? Provavelmente nada. E provavelmente essa pessoa também já não se lembra do par de piruetas que te fez ficar durante vinte segundos com os pés vinte centímetros afastados do chão.

A pergunta mantem-se. “Como é que sabemos se essa pessoa também pensará em nós, assim, do meio do nada?”.

A resposta também se mantém. Não sabemos.

Por isso, decidi escrever esta carta. Dedicada a todos os rapazes de que já gostei.

Às vezes fomos estupidamente importantes para uma mão cheia de pessoas e nem sequer o sabemos. Se ninguém nos diz, como podemos adivinhar?

Por isso, e como não me apetece meter conversa com esses cinco ou seis rapazes e incomoda-los com mensagens do tipo “decidi escrever uma carta dedicada a todos os rapazes que já gostei e tu estás na lista!”, deixo registadas estas paixonetas no papel, para entretenimento de quem se dedicar a ler os quase amores de outras pessoas.

O primeiro rapaz de quem gostei é exatamente o tipo de rapaz pelo qual uma menina não se costuma apaixonar. Baixo para a idade, cheiinho, olhos amendoados, que nos fazem pensar se não terá na família alguma costela asiática.

Os primeiros prenúncios para a pessoa obviamente estranha que eu iria ser.

Apaixonei-me por ele andava eu na primária. Terceiro ou quarto ano; prolongou-se até ao quinto de escolaridade. Tinha eu uns sete anos. Sete anos e estava eu a dar as primeiras passadas no mundo idílico da paixão.

Honestamente, não sei o que de especial tinha o rapaz. Ele não era propriamente simpático; propriamente bonito nem propriamente inteligente. Isto é, ele era inteligente, mas não do tipo de ganhar umas olimpíadas da matemática, percebem?

Nunca me apaixonei à primeira vista. Olhando para trás, não faço ideia de como ele fez surgir aquela faísca e o fss, que o fósforo faz, ao ser esfregado na caixa, no meu coração.

Ele, com certeza, não era o tipo de menino que as meninas escolheriam para ser seu marido-faz-de-conta, nos casamentos de brincar, realizados nas traseiras da escola, mas ele, com certeza, fazia o meu coração palpitar tresloucadamente, quando tínhamos de dar as mãos nas visitas de estudo.

Como tinha dito, essa paixãozita durou até ao quinto ano. Ano em que as minhas amigas decidiram confessarem-se a ele, por mim. (Como se de uma companhia de pombos correio se tratassem).

Elas podiam ter utilizado o método do papelzinho, que era tão famoso nesses tempos; e menos humilhante. “Queres namorar com ela? Sim OU Não? Põe cruzinha na resposta”. Mas, nada disso. Foram ter com o rapaz, que estava acompanhado por mais uns quantos, e disseram “olha, ela gosta de ti”. E ele respondeu “mas eu não gosto dela”.

E pronto. Na altura apeteceu-me chorar. Hoje nem chorar nem rir.

Ponto assente. Esse foi o meu “primeiro amor” (excluindo um namoradito que tive no colégio), que de primeiro-amor-a-sério não tinha nada.

Avançando para o segundo.

Depois disso, apaixonei-me “quase a sério” por mais três rapazes. Não me lembro exatamente da ordem, mas vou fazer os possíveis para não ser enganosa no que conto.

O segundo rapaz pelo qual me apaixonei (porque, até à data, nunca me apaixonei verdadeiramente por um homem) tinha um sentido de humor fantástico e era fantasticamente inteligente.

Ou isso pensava eu, porque depois vim a descobrir que ele chumbou um par de anos e ingressou num curso aborrecidamente desinteressante e com uma média negativa.

Ele era um sonho. Gostava de pingos de neve e odiava rebuçados com sabor a cereja. Víamo-nos duas vezes por semana, no instituto de inglês. Tínhamos a mesma idade.

Ele era o tipo de rapaz pelo qual todas as meninas se apaixonam. (Talvez eu não fosse assim tão estranha).

Popular, bonito, inteligente, simpático. Metia-se comigo, como se metia com tantas outras, e fazia-me rir, mesmo se as suas piadas não tivessem graça (mas, possivelmente, tinham).

Gostava dele porque me dava atenção. Porque andávamos sempre às turras e ele tinha comentários inteligentes. Porque usava óculos e era bonito.

Porque gostávamos dos mesmos bombons (escrevi isso num diário) e ele falava bem inglês, e, quando o via, ele fazia as minhas bochechas doerem, de tanto sorrir; como se eu tivesse feito um botox com cimento, por engano.

Mas depois o segundo passou à história.

Porque, aos doze anos, eu estava completamente perdida de amores pelo terceiro.
Loiro, olhos azuis. O nariz era uma montanha irregular, mas o que importava isso, quando se tem um ar tão de… modelo britânico?

Ele era um verdadeiro bad boy. Na verdade, ele era o bad boy. Cigarro na mão, franja pelos olhos, casaco de cabedal. Aposto que ele teria uma mota, se não fosse menor de idade.

(Ele tinha uns treze anos. Tre-ze. Anos. O amor deixa-nos, sem sombra de dúvidas, parvos, o que fazer?).

Ele era esperto, mas não queria saber para grande coisa da escola. Geralmente tinha os olhos avermelhados e dormia nas aulas. Geralmente também tinha uma namorada diferente de semana a semana.

Eu gostava dele porque ele conversava comigo. Porque me pedia para lhe fazer massagens no pescoço, enquanto a professora de ciências não estava a olhar. Porque esboçava um sorriso satisfeito enquanto tinha a nuca massajada.

Provavelmente gostava dele porque pensava que o podia “arranjar”. Mas, como aprendemos com a vida, isso de arranjar coisas só nos livros ou na oficina.

Ainda com aquela última gota na garrafa de amor pelo terceiro, comecei a apaixonar-me pelo quarto.
O quarto era o total oposto do anterior. Na aparência e tudo. O nariz, no entanto, continuava a não ser dos mais bonitos.

Ele era inteligente ao ponto de enumerar todos os ossos do corpo humano, enquanto cantava e fazia uma coreografia a apontar para onde os mesmos se localizavam.

O quarto tocava piano como os anjos. E era a simpatia em pessoa.

Sempre que passava por mim, cumprimentava-me com um sorriso. E eu virava-lhe a cara. Como é óbvio, virar-lhe a cara não era a minha intenção inicial. Eu não lhe queria virar a cara; eu queria dizer-lhe “olá”, como uma pessoa normal (o primeiro despertou em mim a minha aparente estranheza de caracter, caso não se lembrem), mas a timidez não permitia.

O quarto tinha cabelos escuros e um sorriso bonito. Perguntava-me porque é que eu usava o relógio no pulso direito ou se eu sabia o significado da palavra alemã escrita na camisola que eu estava a usar.  

Apaixonei-me pelo quarto porque ele olhava para mim, quando pensava que eu não estava a olhar. Porque ele oferecia o casaco dele a quem tinha frio, porque era um autêntico cavalheiro, mesmo em tenra idade.

Gostava do quarto porque ele tentou iniciar, vezes sem conta, conversa comigo, mesmo eu virando a cara e, com isso, quase pondo um ponto final ao tema que ele mal começara.

Quarto, se estiveres a ler isto, eu gostava de ti, OK? Eu, simplesmente, era extremamente tímida e tinha a cabeça perdida nas nuvens, sempre que me dirigias a palavra.

(Eu também te escrevi uma música; não ficou nada de jeito; e ainda permanece guardada numa caixinha).

Estes quatro rapazes, diferentes entre si, foram os rapazes de que gostei, com G grande. Mas não que eu amei. Nunca tive uma paixão avassaladora; se tivesse, esta não seria a carta aos rapazes de que gostei; mas sim a carta aos homens que amei.

Depois do quarto, houve outras paixonetas de menor importância. Num verão, apaixonei-me por um amigo loiro, que me atirava para a piscina e cujo primeiro nome já não me recordo.
Nem da cara me recordo.

Não é estranho? Por mais tempo que passes com uma pessoa, se não a vires durante muito tempo as feições acabam por se esvair da memória. A voz dela. O riso dela.


Depois, nunca mais me apaixonei.

Tive quase-amores. Quase paixões. Por um rapaz e um homem. Esta carta já não lhes devia pertencer, mas, como me fizeram sorrir, ou apareceram num sonho para o deixar mais doce, dedico-lhes também este texto.

Comecemos pelo rapaz. Ordem cronológica, certo?

Tinha eu quinze anos e sabia que não estava apaixonada por ele.

Ele era um rapaz complicado, que tinha olhos escuros e profundos e cheirava sempre a tabaco e halls de morango.

Tinha um sorriso bonito, mas no fundo era, acho, triste.

Poderia apaixonar-me por ele porque gostava de conversar com ele e ele se importava comigo. Poderia apaixonar-me porque, uma vez, ele me abraçou e me girou no ar e eu fiquei eternamente feliz. A levitar; vinte centímetros acima do chão, não é?

Mas, nessa noite, ele não cheirava somente a tabaco. Então talvez não se lembre do abraço, que eu guardo com um carinho desmedido e idiota.

Na altura não me apercebi do porquê de nutrir um carinho especial por ele. Mas agora, olho para trás e acho que percebo.

Eu sempre quis arranjar coisas quebradas. (Escusado será dizer que nunca consegui.) Então, o que senti na época, não era amor. Era somente aquela ânsia de uma coisa inteira querer consertar uma coisa quebrada.

E, por fim, veio o homem. Aos dezanove. Outro quase amor, que nem de paixão deve ser chamado. Oito anos de diferença. O sarcasmo fazia parte do seu ser, bem como um sorriso encantador.

Sonhei com ele duas vezes e acordei feliz. E foi só.

A carta termina aqui. É dedicada aos quatro rapazes de quem gostei e aos três de que quase gostei. É dedicada a todas as pessoas que gostam e amam. A todas as pessoas que quase amam. A todas as pessoas que passam pela nossa mente, em momentos inusitados, tipo quando estamos a fazer ovos estrelados.

Esta é a carta a todos os rapazes de que já gostei.

A próxima, será dedicada ao homem que irei amar.

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