19 novembro 2015

Sou o lugar onde em tempos existi • Texto



Sou um espaço infinito e tempestuoso onde nuvens negras colidem numa imensidão de relâmpagos luminosos. Sou a origem do que é vivo em mim e a causa da morte do que em tempos viveu. Sou imprevisível como a queda de uma estrela e impaciente como um animal ansioso. 

Algo em mim, em tempos, foi brilhante e grandioso, preenchido de luz e arte. Hoje sobram destroços amolados de um coração que foi de tal modo destroçado, que bate apenas graças à força da máquina ambiciosa da vida. 

Sou tão real quanto uma verdade axiológica, mas muito de mim esconde-se numa máscara traidora de medos e dores. Sou o resta de uma alma idosa que viveu demais, sofreu demais, e sorriu de menos. Sou a certeza incontestável de que caminhar não nos guia a Roma nem a Meca, mas a becos profundos onde nos aguardam terrores defuntos. 

Não sou nada, nunca quis ser nada. Sou tudo e sempre quis sê-lo. mas a totalidade do que sou não é mais do que um vazio vacilante à beira de uma ravina distante. Sou o lugar onde em tempos existi.

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