24 novembro 2015

Livro: Mar Humano, de Raquel Ochoa • Review



Todos gostamos de plot twists. E quanto mais impossíveis, melhor. Mas há uma linha, muito fina, que separa o incrível do idiota e que jamais deve ser cruzada. E, por vezes, os escritores gostam de a cruzar pelo simples gozo de provocar os leitores, mas… nem sempre corre bem.

Este é daqueles livros que provavelmente não nos chama à atenção quando o encontramos na livraria, mas, por recomendação de outrem ou porque o temos na mão, lemos. Além do mais, a capa é bonita e passa-se durante o Estado Novo, portanto… porque não? Tudo indica que se trata de um romance, daqueles ao modo Nicholas Sparks, mas, aqui, com uma ditadura de inspiração fascistas pelo meio. Com um protagonista que é jornalista durante o Estado Novo, nós damos o benefício da dúvida: talvez um romance recheado de censura possa ser interessante!

E, de uma forma geral, o livro todo é assim. Tirando as últimas páginas, mas já lá vamos. Há um amor tórrido nunca admitido, recheado de olhares desviados e saídas de grupo, com um casal que jamais se tornará um casal e muitos entraves pelo meio. Curiosamente, não há intriga nem traição na narrativa. Apenas uma tristeza, uma nostalgia tão crua que se torna viciante. E nós continuamos a ler.

Até aqui, estava tudo óptimo. Quer o casal ficasse, ou não, junto, eu ficaria satisfeita, porque a narrativa é óptima, a história foge completamente ao cliché, e os personagens são bastante bons. E então…



BAM!

Chegamos às últimas páginas. Aviso desde já que elas estão redigidas a itálico, portanto, são fáceis de identificar. E, para quem não quer apanhar uma desilusão, também são fáceis de evitar. Mas jamais pediria isso a um leitor, pois cada leitor tem um coração diferente. E é por isso que os próximos parágrafos devem ser entendidos como sendo somente a minha visão, e quem discordar está no seu direito, assim como os leitores têm o direito de averiguar por si.

Então, é o seguinte: o final do livro é ridículo. E digo “ridículo”, porque não encontro outro modo de o descrever. “Absurdo” não tem conotação negativa que basta”, “Horrível” é demasiado devastador. Por isso, escolho “ridículo”, porque este livro tem o tipo de final que nos faz ter um momento à Bradley Cooper em “The Silverlinning Notebook”: é de atirar o livro pela janela e bradar aos ventos a nossa indignação.

Não, os personagens não morrem. Nenhum dos protagonistas, pelo menos. Também não há perdas de memória, doenças degenerativas, afastamentos eternos. Não. Mas o termo “e viveram felizes para sempre” adquire uma compreensão completamente distinta daquilo que é habitual. E se acham que estão mesmo a adivinhar o que acontece, estão errados. Porque só naquelas últimas folhas é que a reviravolta se dá.



Estão a ver, a maioria dos livros vai denunciando o final ao longo da história. Nós não sabemos a verdade, mas sabemos que vai acontecer a verdade. Como nos policiais: as provas do crime não fazem sentido absolutamente nenhum, até que chegamos às últimas páginas e uma conspiração de níveis astronómicos é revelada. Mas neste livro não há nada disso. Há apenas um romance normal, sem nada de suspeito, até que de um momento para o outro há reviravolta que não tem absolutamente nada a ver com o que houve antes.

Eu cá acho que a autora estava com um bloqueio criativo, foi ver Anjos e Demónios e subitamente encontrou o seu final perfeito. O problema, era que esse final perfeito sê-lo-ia para outro livro – um de ficção científica, um policial, um de fantasia, um do Dan Brown, um livro sobre as maiores conspirações do mundo -, mas, dado todo o percurso da história, ficou completamente descontextualizado e irrisório. E não me interessa que a protagonista estivesse ligada às ciências e tivesse umas teorias malucas durante o jantar. E eu cá não sou o Filipe Neto, mas tiro os meus óculos de sol para dizer isto bem nos olhos de quem lê isto: não faz sentido.



Mas, finais revoltantes à parte: se nos focarmos na generalidade da obra, excluindo aquele final aleatório, até tem uma história interessante. É um romance que foge ao cliché e demasiado açucarado, com uma dose brutal de realisto e inserido num contexto histórico. 

Se recomendo? Sim. Mas sem o final.
Nota Final:
Recebi este livro através de um concurso em que participei no ano passado na Mais Superior. Em tudo tenho de agradecer às revistas Mais Educativa e Mais Superior, por realizarem passatempos e concursos maravilhos. 

TRAILER


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