05 novembro 2015

Receber o que não se merece • Texto


A dificuldade que, por vezes, temos em adquirir as coisas é o que dá realmente valor a elas. Mas, por vezes, a dificuldade é tanta que, quando obtemos o que queríamos, sentimos um grande vazio. adquirimo-lo apenas porque a entidade autora da entrega o fez para nos satisfazer a vontade. Como uma mãe que deixa a filha sair à noite apenas para deixar de a ouvir queixar-se. Outras vezes, o esforço foi tanto que, no ato de receber aquilo que desejávamos, compreendemos que aquele desejo não merecia tanto sofrimento.

É por isso que, muitas vezes, não ficamos felizes ao obter algo por que lutámos muito. Sabe a pouco, sabe a cedência e não a valor. Não, não foi o nosso esforço que conquistou aquilo, mas sim a saturação, a irritação. E acabamos, nós próprios, com um nó na garganta e um troféu nas mãos, mas um grande vazio no coração. A consciência guarda uma enorme sensação de culpa. Sentimo-nos insatisfeitos, incompletos, um encargo. 

Queremos remediar a situação, mas não sabemos ao certo como. Aceitar o troféu não traz honra nenhuma, nem glória; mas recusá-lo será como uma ofensa ao outro, mais um motivo de irritação. Sem mencionar que estaremos a desperdiçar a nossa única oportunidade de conseguir o que queríamos. Se recusarmos, jamais o teremos. De qualquer dos modos, compramos uma batalha com nós próprios e com o outro, que nos irá consumir e desfazer até à loucura. 

Façamos o que façamos, nunca haverá uma decisão certa. Mas uma delas terá de ser tomada. Qual? Só nós podemos escolher. E ter consciência das consequências.

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