03 setembro 2015

Do raiar ao pôr do sol • Texto


O caderno no colo, caneta numa mão. Deslizo os dedos pelo seu cabelo escuro e espesso. Não faz nada de especial além de existir. Está ali apenas deitado, a cabeça encostada à minha anca, um braço a cingir-me a cintura. Tem os olhos fechados, está imóvel. Mas sei que está acordado. De vez em quando abre-os, levanta a cabeça, encara-me com aqueles olhos castanhos vibrantes, sorri de canto e volta a acomodar-se. E eu, sem largar a caneta, continuo a deslizar os dedos pelo seu cabelo curto, dividindo a minha atenção entre as suas longas pestanas e o meu caderno.

Observá-lo assim, sem nenhum propósito além de simplesmente olhar para ele, traz-me uma certa paz. Perece tão calmo, tão pacífico, até mesmo frágil. Como se tocar-lhe o fosse destruir. Mas tocar-lhe é igualmente um alívio. Sim, ele está aqui. Sim, ele está bem.

São momentos assim que me fazem perceber realmente porque o amo tanto. Claro, há muitas razões. Todo ele é um templo de coisas que me atraem como ouro atrai dragões. Mas são estes momentos de pura paz e integridade, quando ele está tão sossegado e de guarda baixa, que me fazem perceber porque é que ele não é só mais um. Ele é O um, e não só mais um. Ele é o tudo.

Continuo a escrever. Já nem sei onde vou nem que ideia tinha. Perdi a linha de raciocínio ao distrair-me. Outra vez. Ele levanta novamente a cabeça, como se adivinhasse a minha confusão, e acabo por imergir nas poças de chocolate dos seus olhos. O seu braço aperta-me a cintura e inspiro fundo antes de colocar o caderno e a caneta de lado, para me deitar. Um sorriso meio divertido, meio satisfeito, brota nos seus lábios contornados pela barba de dois ou três dias. Puxa-me para mais perto, repousa a mão nas minhas costas. Toco-lhe no rosto e sorrio-lhe de volta. Estamos tão próximos que nos ouvimos a respirar, nos sentimos a viver. Acaricio-lhe o rosto com o polegar, a pele fina da minha palma ligeiramente picada pela barba. Ele beija-me a testa, depois os lábios, eu aconchego-me a ele.

Sou feliz com ele. Estou feliz agora, nos seus braços quentes e acolhedores. Sou feliz em cada momento com ele. E sei que ele estará aqui quando eu acordar amanhã, ao raiar do sol e ao seu pôr. Pronto para me receber e ser recebido, amar e ser amado.

2 comentários:

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