09 julho 2015

"para homens" e "para mulheres" • Blogagem coletiva


Desde os primórdios dos tempos que as coisas são categorizadas em duas categorias: para homens e para mulheres. E, dependendo dos casos, essas categorias podiam ser aceites pacificamente ou impostas. Contudo, nos últimos três séculos essa categorização tem vindo a ser questionada – na última década, então, todos os padrões dessa têm sofrido alterações radicais. Há quem ache que as coisas deviam manter-se como têm estado; e há quem apoie a mudança. 

Certas problemáticas de relevância social, como questões de emprego e de hierarquização social têm sido as mais afectadas por estas mudanças de paradigma. Se antes as mulheres não podiam trabalhar de todo e até para ir ao café precisam da autorização ou da companhia do marido, agora elas podem mesmo ser donas de empresas ou presidentas (na teoria, sobretudo; na prática, esta última parte continua a ser extremamente bloqueada). Contudo, a luta pela igualdade tem, cada vez mais, procurado alterar até coisas básicas do nosso dia a dia: brinquedos, brincadeiras, vestuário, aparência, hobbies, cores, personalidade… Os parâmetros que definem todas essas coisas têm sido questionados repetidamente – e cada vez mais têm tido sucesso. Questionam-se coisas tão simples quanto “Porque é que o azul é para os rapazes, e o rosa para as raparigas?”; “Porque é as meninas só podem brincar com bonecas e os rapazes só com carrinhos?”; “Porque é que os meninos não podem praticar ballet, e as meninas não podem praticar luta livre?”; “Porque é que…?”

Para a maioria das pessoas, a resposta é pura e simplesmente “Porque sim”, sendo incapazes de realmente explicar o porquê. Mas a resposta está mesmo à nossa frente, em tudo aquilo que nos fazemos. Porque é que a nossas culinárias é como é? Porque é que nos vestimos como vestimos? Porque é que usamos penteados como os que usamos? Porque é que tudo o que nos rodeia é como é? Para essas questões, todos irão responder, quase sem exceção, que é somente uma questão cultural. E o mesmo para todas as questões colocadas no parágrafo anterior. É tudo apenas uma questão cultural.

E o que é que todas as culturas têm em comum? Elas mudam. Evoluem, adaptam-se, reinventam-se, seguem a sociedade em que se inserem. Nenhuma cultura é imutável, por mais primitiva e retrógrada que ela seja agora em comparação com outras. O que significa que nenhuma cultura é mais certa ou melhor que as outras, porque cada cultura tem os seus pontos altos e os seus pontos baixos. O que importa realmente, em todas elas, é reconhecer aquilo que é negativo, inútil ou prejudicial e alterá-lo para melhor. 

E é caso para dizer que essa categorização viciosa de “para homem e para mulher” um pouco de todas essas coisas: é negativa, porque dá direito a discriminação e a bloqueio de oportunidades; é inútil, porque não faz sentido absolutamente nenhum e não tem utilidade alguma (a sério: no que é que um homem vestido de cor de rosa vai afetar a sociedade no que é efectivamente importante?); e prejudicial porque há talentos e personalidades que acabam perdidos. Quero dizer, já pensaram que se calhar há algures por aí uma mulher que pode criar um software super importante para o mundo, mas que jamais o fará porque a sociedade acha que a tecnologia é só para homens? Ah, isso muda tudo, não muda?

O que é facto é que, apesar da grande abertura que tem havido na sociedade – graças ao feminismo, à luta, à campanha e ao inconformismo -, ainda não é suficiente. Homens continuam interditos a coisas consideradas femininas, e mulheres continuam interditas a coisas consideradas masculinas. E não há nada de vantajoso ou positivo nisso. Apenas segregação e desperdício de talentos e bloqueio à felicidade. 

Portanto, resumindo: se o puto quer brincar com os tachos e panelas, e se a miúda se interessa mais pelos carrinhos do que pelas bonecas, deixem-nos. Deixem as crianças brincar com o que as faz feliz e, sobretudo, deixem as pessoas serem felizes com aquilo de que gostem. Não imponham os vossos padrões retrógrados, mesquinhos e inúteis aos outros.

Este post pertece a um projeto de

conhece os textos dos outros membros

2 comentários:

  1. APLAUDINDO!
    O ser humano adora criar padrões e estereótipos, e às tantas andamos aqui que nem baratas tontas sem saber o que andamos a fazer. E nem paramos pra pensar, as coisas são como são e pronto. E concordo quando dizes que essa categorização é negativa e prejudicial. Existem cozinheiros e cabeleireiros excelentes, assim como existem jogadoras de basket e futebol super talentosas! Então para quê essa segregação? É estúpido.

    Adorei o teu texto e vou ler os outros também, eheh

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Misoginia. <3

      Obrigada, Sandra! Os teus comentários são sempre uma inspiração e super encorajadores! *-*

      Eliminar

Disclaimer

Todos os conteúdos aqui apresentados têm os direitos reservados aos respetivos autores. À partida, todos os textos neste blog são da autoria de Rafaela Silva, Aléxia Oliveira e Mónica Simão, exceto em referência contrária, e não devem ser reproduzidos, adaptados ou copiados de forma alguma sem consentimento prévio. Todas as fotografias com marca de água de Rafaela Silva ou RS Fotografia e Design têm os direitos exclusivos de Rafaela Silva. As fotografias com a marca d'água de Lemao Doce ou Limão Doce pertencem exclusivamente ao blog. E todas as imagens não assinaladas pertencem aos respetivos autores e provavelmente virão de sites dedicados a imagens de stock (ver: 'Recursos')
Com tecnologia do Blogger.

Seguidores

Google+ Followers