19 maio 2017

10:37

Um dia eu gostava


Um dia, gostava que um desconhecido se aproximasse de mim e me dissesse "Está tudo bem, vai tudo ficar bem", e depois fosse embora. Ficaria para sempre na minha memória como aquele desconhecido que melhorou o meu dia. Como aquele senhor que me contou piadas e trocadilhos na paragem de autocarro, sem nunca me perguntar o nome ou dizer o dele, e depois entrou no seu autocarro e foi embora. Ou como aquela senhora que meteu conversa comigo durante a viagem, sobre a faculdade e as coisas, e me falou de como foi no seu tempo, mas também nunca trocámos os nomes e ela saiu na paragem antes da minha.

Um dia gostava que um conhecido me perguntasse o nome, e depois passaríamos a conhecer-nos a sério. Talvez ficássemos amigos, ou talvez não, e nem precisávamos de voltar a falar, mas eu ficava a conhecer um pouco melhor alguém, e alguém passava a conhecer-me um pouco melhor a mim.

Um dia eu gostava de encontrar uma mensagem entre os livros da biblioteca. Gostava de deixar outra em resposta. E ter uma conversa inteira com bilhetinhos rasgados e rabiscados, naquela prateleira esquecida da estante. E nunca iria conhecer a outra pessoa, ia ser como um pen pall, mas mais divertido.

Um dia eu gostava que os meus amigos me arrancassem de casa e me arrastassem para o comboio, e me levassem à praia de madrugada. Que me atirassem à água, me atirassem areia, me tirassem daquelas fotos desprevenidas e bonitas em que só quem se está a divertir consegue ficar bem. Depois podíamos deambular pela costa, apanhando pedrinhas e conchinhas, inventado histórias e fazendo planos para o futuro. Daqui a cinco anos vamos aqui voltar. Daqui a uma semana vamos ao rio. Daqui a duas horas vamos comer um gelado.

Um dia gostava de me apaixonar a sério, por alguém a sério, e ter um romance a sério. Não precisa de ser perfeito, apenas a sério. Não precisa de ser saído de um livro de Nicholas Sparks, apenas ser a sério. Ele não tem de ser maravilhoso, nem incrível, nem saído dos meus sonhos, apenas tem de ser a sério. Sem ciúmes, sem regras, sem terceiras partes nem silêncios. Apenas ser a sério.

Um dia gostava de ter coragem de ir ter com algum desconhecido e começar a conversar. Conhecer muitos desconhecidos, até deixarem de ser desconhecidos, absorver um pouquinho das suas vidas na minha. Tentar preencher um pouco o meu vazio com aquilo que transborda das outras vidas. Ter um novo contacto no telemóvel, que não vai ficar só guardado e vai ser usado.

Um dia gostava de conseguir ser eu. Não precisar de ser arrastada para a praia, nem reunir coragem para conversar, nem sonhar com o desconhecido e com o que devia ser conhecido. Não ter de levantar-me sozinha de todas as vezes que caio e não ter de seu eu a sacudir o pó da minha roupa. Poder beber e beber sem medo de não chegar a casa, e chorar e chorar sem medo de sair de casa.

Um dia gostava de poder eliminar toda esta solidão, toda esta podridão na minha alma, que vai e vem e volta e retorna, mas nunca fica e nunca desaparece, e me faz deambular pela vida como se não fosse minha. Ganhar poder sobre mim própria, preencher este vazio e iluminar esta escuridão.

Um dia gostava, eu um dia talvez possa, completar todos estes sonhos e toda esta vida, e apagar esta dor da minha alma.


12 maio 2017

11:47

10 Coisas Para Ler Quando Não Há Nada Para Fazer #3





Entre as resoluções de ano novo de muita gente, ou as recomendações médicas de muitos outros, "começar a levantar cedo' é uma das mais determinadas. Contudo, encontrar motivação, enxutar o sono e reunir força de vontade são a parte mais dificil dessa decisão. Por isso, aqui estão dois posts que podem, e vão, ajudar a encontrar o que falta.


Sobre conhecer mulheres incríveis, com histórias incríveis, e o contributo delas para o desenvolvimento pessoal desta blogger.


3. Tendências Criativas para 2017, por Sernaiotto
A Arte também segue tendências, não apenas a Moda. E logo no início do ano começaram a surgir previsões do que 2017 nos iria trazer; contudo, a Sernaiotto fez uma compilação interessante delas e partilhou.


Resenhas bonitinhas sobre esses dois doramas. Se ainda não viram, vão ver. Eu ainda não vi nenhum desses doramas, mas esses posts intensificaram a minha vontade de ir fazer maratonas.


Para uma dash mais fotográfica e menos vazia, ou para inspiração.


6. Ideias para 2017, por The Sad Girls Club
Porque não, né?


7. Template Simplicity, por Dezoito Primaveras
Eu não sei quanto a vocês, mas eu apaixonei-me por esse layout!


Sobre ter um Bullet Journal.


9. Não nasci para selfie, por Abra a Janela
Para quem não sai bem nem nas selfies.


Aqui em casa, temos algumas dicas sobre edição de fotos.

Ainda não é suficiente? Podes ver aqui mais 5 coisas para ler quando não há nada para fazer.


08 maio 2017

22:34

GIVEAWAY - Limão doce + A Bijuteira



Olá, queridos Limonetes! Para começar bem o mês de Maio, o Limão Doce está a oferecer, em parceria com A Bijuteira, uma carteira muito fofa e super primavera/verão.

Para se habilitarem a ganhar têm apenas que cumprir os requisitos:

Limão Doce:

 Seguir o Limão Doce no blog e no Instagram (@lemaodoce)
 Deixar like na página do Limão Doce (@lemaodoce)
 Partilhar este post publicamente e marcar duas/ois ou mais amig@s

A Bijuteira:

 Seguir no Instagram d'A Bijuteira (@abijuteira)
 Deixar like na página d'A Bijuteira (@bijuteira)

Importante!

 E não se esqueçam de preencher o formulário abaixo, para validar a participação!
O sorteio será feito por um sorteador online, nomeadamente o Random.org e o vencedor será contactado no espaço de uma semana, tendo, posteriormente, mais uma semana para responder com os seus dados para envio. Caso não haja resposta dentro desse prazo, será feito segundo sorteio a partir dos concorrentes já inscritos.
 O concurso é apenas para quem reside em Portugal Continental. Caso o vencedor tenha ignorado a regra e nos envie a morada fora de Portugal, iremos escolher o segundo vencedor.




05 maio 2017

13:06

Faculdade: E agora? #9 • 5 Coisas que Estudantes de Multimédia estão Sempre a Ouvir


Este post faz parte de uma série.Para leres outros artigos com o mesmo tema, acede a Faculdade: E Agora?


1. Consegues arranjar-me o computador, tu que percebes dessas coisas?

Nós percebemos de Photoshop, Illustrator, Premiere e Loghtroom. Isso não é o mesmo que perceber de computadores. A minha área é a artística, não a tecnológica propriamente dita. Porque usamos computador para 90% do nosso trabalho não significa que sejamos engenheiros informáticos.


2. Uau, sabes fazer um site. Consegues hackear o Governo?

Não, não conseguimos hackear o Governo, porque 1) É ilegal; e 2) Esse não é exatamente o tipo de programação em que a nossa área se foca. Sim, podemos aprender um pouquinho de programação mais ou menos desse género - dependendo do curso específico -, mas não é bem esse o nosso foco. O nosso foco é, como bem dizem, fazer um site. E saber criar um não é sinónimo de saber invadir um. Lamento desapontar-vos, mas não creio que no futuro possam dizer que conhecem alguém dos Anonymous e esse alguém seja eu.

Photo: PicJumbo 

3. Ah, é muito caro, o sobrinho da avó do meu primo faz-me isso de graça.

Primeiramente, não é caro - o que na verdade está a pagar é a nossa formação, as horas de estudo e trabalho, e os mínimos de competência e conhecimento. O sobrinho da avó do seu primo talvez faça de graça, mas as probabilidades de, no futuro, isso sair caro porque tem de mandar um profissional corrigir ou substituir são elevadas. 


4. Eu também tenho o Photoshop e sei fazer umas coisas, mas... *inserir aqui o resto*

Tudo nesta frase me deixa confusa, por isso não sei bem como responder a isso. Tem o Photoshop, e daí? Muita gente tem. 'Mas' o quê? Não sabe trabalhar com ele? Não quer aprender? Apenas gosta de dizer que o tem? Qual é a relevância dessa informação; está à espera que eu lhe faça um tutorial passo a passo de como fazer esse 'mas' transformar-se num 'e sou muito bom'? Ter Photoshop transforma-o automaticamente num designer? Eu realmente não compreendo, expliquem-me. (Nota: Isto é muito diferente de "Eu também sei trabalhar no Photoshop" vindo de quem efetivamente sabe)

5. Eu consigo fazer isso no Word/PowerPoint.

...


E na vossa área de estudo, quais são as coisas que estão sempre a ouvir?


Este post está muito relacionado com um outro post que pode ser do vosso interesse: Coisas que Fotógrafos estão fartos de ouvir
.

28 abril 2017

10:00

Porque é que eu escrevo

Desig. Canva

Breves linhas servem para escrever um mundo inteiro. Na caneta de um poeta, em versos. Na caneta de um romancista, em parágrafos. No pincel de um artista, num retrato. Brevemente, sucintamente, resumidamente. Não é necessário escrever uma dissertação de três volumes para expressar o que nos vai na mente. "Menos é mais" pode ser o melhor amigo de todo o escritor.

É frequente aceitar o equívoco de que, para escrever bem, é preciso decorar o dicionário de A a Z e usar vocábulos absurdamente complexos e vibrantes. Como já disse, é um equívoco. A qualidade da escrita reside na emoção que passa ao leitor, na capacidade do escritor colocar uma imagem na mente de quem lê. É o dom de usar as palavras, não de as complicar.

Aborreço-me profundamente quando me deparo com descrições muito complexas, de página e meia, com muitos palavrões pelo meio que só atrapalham a compreensão do texto. Acho que um texto simples, mas com uma boa colocação das palavras, é muito mais interessante e agradável. Mas, claro, isso é preferência estética e literária minha e não uma regra universal.

Portanto, meus colegas aspirantes a escritores, deixo-vos a minha dica: menos dicionário, mais sentimento. Sim, um vocabulário diverso e bem conhecido é muito importante. Mas a escrita tem mais a ver com sentimento do que com linguística. Por isso, toca a SENTIR!


21 abril 2017

10:14

Prateleira de sonhos vazia

Design. Canva

Quando penso no futuro, é a tua imagem que me vem à mente. Um infinito de possibilidades refletidas nos teus olhos cor de mel e o doce vestígio dos sonhos que já tiveste, tens e poderias ter. Gostava de fazer parte de alguns deles; E gostava que visses nos meus olhos o que eu vejo nos teus. Uma dócil esperança que me acompanha sempre que penso em ti.

Imagino-nos num apartamento vulgar, com mobília simples e decoração simbólica. Sabes, lembranças das nossas viagens pelo mundo: uma miniatura na Torre Pizza na mesa da sala, sobre uma toalha açoriana; uma estátua de Buda que trouxemos do Tibete no móvel do corredor, rodeada de velas aromáticas indianas e incenso. Uma máscara mexicana pendurada na parede da sala, mesmo ao lado daquele quadro engraçado que comprámos na Alemanha; sem mencionar a estante repleta de livros, os teus e os meus, e ainda os CD’s e DVD’s que vamos acumulando das nossas bandas e filmes favoritos; aqui e ali podemos ter fotografias nossas, apenas para recordarmos pequenos momentos quando olhamos para elas.

Tu sabes que eu odeio tabaco, mas não te incomodarei se te limitares à varanda quando quiseres alimentar o vício. Em contrapartida, espero que não me perturbes quando estiver a meditar – é importante para o meu equilíbrio emocional. Não me queres ver a explodir de cada vez que entornas a cerveja no tapete, pois não? A cerveja é mal empregada e o tapete foi-me oferecido pela minha avó. E sim, podemos ter um mini-bar, para guardares toda a tua coleção de vinhos e águas-ardentes de que tanto gostas.

Podemos ter sessões de cinema em casa de vez em quando. Eu deito a cabeça no teu colo, ou tu no meu, e vemos filmes enquanto brincamos com o cabelo ou afagamos a mão um do outro. Rimo-nos com as comédias, seguras-me a mão com os filmes de terror, aturas as minhas crises de romantismo com as comédias românticas, acompanho-te nos filmes de ação, e ajudas-me a compreender aqueles thrillers psicológicos altamente confusos. Por fim, um de nós adormece antes dos créditos finais e o outro aguarda até a tela preta desaparecer para o despertar.

Tentarei não gritar contigo quando subitamente alterares os teus planos; mas apenas se evitares comentários sobre a noção de moda das minhas amigas, ou se não me obrigares a ficar em casa quando os teus amigos cá vêem. Não me interesso por futebol, prefiro ir até casa de alguma amiga durante esse tempo, e agradeço que sejas compreensivo nisso. Até vos deixo a cerveja no frigorífico e os aperitivos todos à mão para te facilitar as coisas.

Também agradeço que não critiques a minha coleção de sapatos. Afinal de contas, aquela caixa debaixo da cama está cheia de figuras de ação sem utilidade e eu nunca me queixo dela. E podes crer que vou transformar o quarto de hóspedes no meu ateliê. Pendurarei os meus desenhos nas paredes, muitos deles de ti, e forrarei o chão com papel de jornal para não sujar os ladrilhos. Uma vez por semana vou trancar-me lá dentro e exigir sossego – aproveita essa altura para chamar os teus amigos para uma partida de póquer. Sei que gostas de póquer.

Não deixes o calçado espalhado pela casa. Eu não deixo o meu, pois não? E por favor, pendura o casaco no cabide do hall de entrada – sabes que odeio engomar roupa e deixá-lo largado num sítio qualquer não ajuda muito. Creio que podemos ser um casal perfeito, ou chegar perto disso, se cumprirmos as nossas próprias regras.

Eu sei. Estou a sonhar demasiado alto. Não tenho culpa se o meu coração se contrai dolorosamente quando penso em ti, ou se choro impiedosamente ao lembrar a tua voz quando dizias que me amavas. Acredito que ainda me amas, sabes? Porque nunca se deixa de amar – apenas se ama menos. Espero que possamos reatar quando eu for ter contigo. Esta distância está a consumir a minha alegria, a torná-la em cinzas nostálgicas e saudade. Porque preciso de ti aqui, para me abraçares e dizeres que está tudo bem, que ficará ainda melhor, que continuará tudo ótimo. Mas não está bem. E jamais estará.

Aquele fatídico dia tirou-me tudo o que eu tinha. Ninguém liga às campanhas da polícia quando eles alertam para os riscos de conduzir embriagado. Aquele teu amigo, o que sobreviveu, não deu atenção aos milhares de vezes que viu o alerta. E graças à sua insistência em ignorar o que é sábio, quatro jovens – tu incluído – foram vítimas da sua imbecilidade. Espero que ele carregue a culpa para o resto da vida, porque ele tirou-me tudo.

O apartamento, as recordações, as sessões de cinema, o ateliê com desenhos teus e acordar todos os dias ao teu lado – tirou-me tudo isso e mais ainda. Tirou-me aquilo que eu mais amo, a alma mais nobre que eu já conheci, o sorriso mais belo que eu já vi, os olhos mais vivos que eu já encontrei, e o abraço mais aconchegante que já senti.

Tirou-me tudo. Tirou-te de mim.



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